
...As memórias da gravidez não evolutiva há um ano atrás, as sequelas físicas e emocionais ainda muito presentes...o despotismo dos números para que faz um tratamentos de procriação médicamente assistida (quanto ovulos, quantos maduros, quantos fecundaram, quantos chegaram ao 3 dia, quantas células, que classificação embrionária...e a espera agonizante dos 12 dias até ao teste de sangue ao BHCG...e mesmo perante a felicidade contida do positivo..novamente os numeros, o valor do próprio beta... que pode indiciar desde logo uma gravidez gemelar ou uma com baixas hipoteses de evolução)...
Por volta das três da manhã sobrevieram as contradições..."ontem senti-me nauseada e tive uma vertigem mas ...a medicação que tomo pode provocar este efeito"...sinto picadas nos seios mas..novamente a medicação pode provocar este efeito..." cheguei a desejar uma gravidez como a da Clara Rojas (refém das FARC) que viveu a sua gravidez na selva, sem ecografos, analises constantes, rastreios, medições da nuca e falsos positivos para aminiocentese...o ciclo da vida. Ponto.
Ao meu lado o meu marido dormia profundamente após ter regressado exausto de uma viagem de trabalho à Alemanha, absolutamente assustado com o que viu no aeroporto de Frankfurt e com a possibilidade de me poder transmitir a Gripe Suína .
Após fechar balanço entre a minha esperança e os meus fantasmas fomos para o Hospital. Antes de me chamarem para a Eco fui ao WC e olhei-me pela ultima vez ao espelho e encontrei a paz e abnegação para aceitar um veredicto favorável ou o fim da aventura...Nunca....repito nunca...me passou pela mente a possibilidade que se veio a confirmar ...GÉMEOS!...
O primeiro médico até já havia abandonado a sala e parabenizado os pápás quando a médica viu o segundo saquinho gestacional com um coração a bater como quem diz "Ei! Também estou aqui!!" ...ambos compatíveis com 6 semanas de gestação e boa vitalidade...
E a esta hora começo a acreditar que, se calhar, Deus tinha outros planos para mim...Estou Feliz!